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Subir ao palco para dançar ballet, pela primeira vez na vida, aos 44 anos de idade foi uma experiência inesquecível. Mais que isso: foi um exercício de superação, de humildade, de aceitação e de libertação muito grande.


Comigo aconteceu depois de longos e deliciosos cinco anos de prática em sala de aula. 

Agora, na minha nova escola de ballet e já sob a orientação dedicada e profissional da minha professora e, hoje, parceira no Projeto de Ballet Adulto, Adriana Palowa, finalmente, minha hora de enfrentar o olhar do público tinha chegado.

 

Os ensaios constantes, tarde da noite, em fins de semana e feriados, sempre driblando o horário do trabalho, foram uma prova de fogo. O ritmo era intenso e eu precisava me cuidar ainda mais para evitar lesões... exatamente como qualquer bailarina às vésperas de um espetáculo.

 

Queria muito fazer bonito, mas sabia que minha memória, por vezes, acabava me traindo e me fazendo esquecer detalhes da coreografia. Por isso, trazia na bolsa de ballet um papelzinho onde se lia a sequência dos passos escritos em francês. Tensão, cansaço, frio na barriga, nada foi diferente do que aconteceria com qualquer bailarina no auge da carreira... lá pelos vinte e poucos anos de idade.

 

Fiz dieta, tomei vitaminas para ficar forte e me enchi de coragem. Convidei amigos e familiares para me assistir apesar do receio da crítica e da exposição a que estava me submetendo.

 

O tão esperado dia chegou. Os bastidores do Teatro Nacional, o mais tradicional e bonito de Brasília, encheram meus olhos. Lembrei do meu sonho de menina e quis chorar... mas me segurei. Àquela altura do campeonato não dava para borrar a maquiagem que tinha cílio postiço e aquele olho bem marcado.

 

E que lindo ver toda aquela gente andando com pressa  de um lado para o outro atrás das coxias; aquelas luzes fortes e 1 400 poltronas vazias à espera da plateia. Caminhei rapidamente até a ponta do palco, antes que algum técnico de luz ou de som me tirasse dali, e respirei fundo, agradecendo a Deus pela oportunidade. Yes, aquilo realmente estava acontecendo comigo.

 

Ballet exige disciplina e alongamento cuidadoso antes de qualquer passo. Barras espalhadas atrás do palco; todos nós encapotados para manter os músculos bem-aquecidos e tome exercício. Praticamente, uma aula pré-apresentação.

 

Ainda não dava para estar nas primeiras fileiras de bailarinas, mas eu estava lá e muito, muito feliz, orgulhosa de mim e querendo nunca mais deixar esse lugar tão sagrado que é o palco. Se eu esqueci a coreografia? Bem, se eu disser que fui perfeita estaria mentindo, mas também não fiz feio. O mais importante é que eu fui capaz e sou capaz dançar e, a cada vez, com mais segurança em mim mesma.

 

Ao final, o aplauso como se fosse a chuva batendo no telhado da casa onde eu morava no Rio de Janeiro quando menina. Costumava dizer que a chuva parece um monte de gente aplaudindo.

 

Todos nós da turma, mais jovens e menos jovens, celebramos juntos a conquista. Teve até champagne no camarim e tietagem da professora, que fez participação especial num pas de deux com o marido e também bailarino Herlon Franklin.

 

Flores do esposo, fotos, abraços e elogios da família e dos amigos. O que mais eu podia querer? Quase não dormi aquela noite. Finalmente, tinha conseguido libertar a bailarina que estava adormecida dentro de mim por toda uma vida.

 

 

 

 

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